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Projeto de radier em Porto Alegre: dimensionamento para solos compressíveis

Geotecnia aplicada a resultados concretos.

SAIBA MAIS

A concretagem de um radier começa muito antes da bomba lança chegar na obra. O que define a espessura da placa, a taxa de armadura e as juntas de concretagem é o que está abaixo: camadas de argila mole ou aterro que não aparecem na superfície. Em Porto Alegre, onde o perfil de solo alterna entre sedimentos quaternários da planície e cotas de alteração de granito, o ensaio CPT permite identificar lentes de solo mole que comprometem o módulo de reação. Sem esse dado, o radier pode trabalhar com recalques diferenciais acima do tolerável pela estrutura. Já acompanhamos obra no bairro Menino Deus onde a combinação de SPT e prova de carga direta mudou completamente a solução de fundação prevista em projeto básico.

O radier não é uma laje grossa sobre terreno qualquer: é uma fundação que exige conhecer o módulo de reação do solo a cada metro quadrado.

Nossas áreas de serviço

Como trabalhamos

A expansão urbana de Porto Alegre a partir do aterro do Guaíba, no início do século XX, criou bairros inteiros sobre solos de deposição recente. A Zona Sul e partes do Centro Histórico estão assentadas sobre camadas de argila siltosa com N-SPT abaixo de 2 nos primeiros metros. O radier bem dimensionado para esse cenário trabalha como uma placa rígida que distribui as cargas uniformemente, reduzindo recalques diferenciais. Em terrenos com aterro não controlado, associamos o projeto a sondagens SPT para mapear a espessura do material de preenchimento. O dimensionamento segue os critérios de rigidez relativa placa-solo do ACI 360R-10, com verificação de punção nos pilares e controle de fissuração por retração. Em solo residual de granito, típico dos bairros mais altos como Petrópolis, o módulo de reação pode ser dez vezes maior que na planície, mudando completamente a espessura necessária da laje.
Projeto de radier em Porto Alegre: dimensionamento para solos compressíveis
Imagem técnica — Porto Alegre

Fatores do terreno local

No subsolo da planície aluvionar do Guaíba, existem lentes de argila orgânica entre 1 e 5 m de espessura, sempre saturadas e com resistência ao cisalhamento abaixo de 20 kPa. Se esse material for submetido a carregamentos sem investigação prévia, podem ocorrer recalques de dezenas de centímetros em alguns meses. Um radier construído sobre essas camadas sem qualquer melhoria corre risco de ruína por flexão ou de provocar fissuras em alvenarias e danos em instalações. Na cidade de Porto Alegre, a variação do lençol freático é outro fator preocupante: no inverno ele sobe e pode inundar a base do radier, modificando as tensões efetivas. Por isso, o projeto deve incluir medidas contra subpressão, como a instalação de drenagem periférica. Em bairros localizados próximos aos morros, como Glória e Teresópolis, a mudança abrupta entre solo residual e colúvio gera condições de apoio não uniformes. Isso exige uma análise de interação solo-estrutura usando elementos finitos.

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Normas de referência

As principais normas técnicas adotadas são a ABNT NBR 6118:2023 (projeto de estruturas de concreto), a ABNT NBR 6122:2019 (projeto e execução de fundações) e o guia ACI 360R-10 para dimensionamento de lajes sobre o solo. Como referência complementar para a interação solo-estrutura, utiliza-se o Eurocode 7 (EN 1997-1:2004).

Parâmetros técnicos

ParâmetroValor típico
Espessura típica da placa12 a 25 cm (residencial até 3 pav.)
Módulo de reação (kv) na planície2.000 a 6.000 kN/m³
Módulo de reação (kv) em solo residual15.000 a 40.000 kN/m³
Taxa de armadura mínima0,15% a 0,25% (ABNT NBR 6118)
Recalque admissível em radier25 a 50 mm (estrutura convencional)
Concreto usualfck 25 a 30 MPa, classe de agressividade II
Profundidade de investigação mínima1,5 a 2 vezes a largura do radier

Perguntas frequentes

Quanto custa um projeto de radier em Porto Alegre?

Para residências de até 200 m², o custo inicial do projeto completo — englobando investigações geotécnicas, dimensionamento estrutural e Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) — é de R$ 100.000. Entretanto, o preço final pode variar conforme a complexidade do terreno, a quantidade de sondagens realizadas e a eventual exigência de modelagem computacional mais avançada.

Em quais bairros de Porto Alegre o radier é mais indicado?

Na Zona Sul, no Arquipélago e nos bairros do Centro Histórico que foram erguidos sobre o aterro do Guaíba, o radier se mostra particularmente benéfico, já que o solo superficial apresenta reduzida capacidade de carga. Além disso, esse tipo de fundação é indicado para terrenos com nível freático elevado, situação frequente na região da Orla.

Qual a diferença entre radier e sapata corrida?

As sapatas corridas concentram as cargas ao longo de faixas lineares, o que requer um solo com resistência mínima para que não ocorram recalques diferenciais. Já o radier espalha a carga total da construção por uma placa contínua, sendo mais adequado para solos heterogêneos e de baixa resistência, características comuns nas regiões aterradas de Porto Alegre.

Preciso de quantas sondagens para um projeto de radier?

De acordo com a NBR 6122:2019, é obrigatória a realização de pelo menos uma sondagem a cada 200 m² de projeção da edificação, com um mínimo de três furos. Na cidade de Porto Alegre, nossa recomendação é de no mínimo quatro pontos de investigação quando houver registro de aterro na quadra, a fim de detectar variações laterais do perfil do solo.

O radier precisa de juntas de dilatação?

A resposta é afirmativa: o projeto estabelece juntas de concretagem e de retração baseadas na geometria da placa e nas condições ambientais. Em Porto Alegre, onde a amplitude térmica anual é de aproximadamente 12°C, o espaçamento usual das juntas de retração varia entre 4 e 6 metros, empregando-se selante flexível no preenchimento.

Localização e área de serviço

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